Colheita do tabaco já atinge 70% em Venâncio

Publicado em 10/01/2019 às 09h02

Ornélio Funck deverá encerrar a colheita amanhãDevido à geografia, a colheita do tabaco está em diversos estágios em Venâncio Aires. Na parte baixa, está praticamente 100% colhido. Em outras, está em fase adiantada, o que segundo estimativas da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), faz com que o índice some mais de 70% no município.

Segundo o gerente do Departamento de Supervisão Técnica da Afubra, Paulo Vicente Ogliari, a mesma situação ocorre em praticamente toda a região baixa do Vale do Rio Pardo, onde o tabaco ainda restante na lavoura apenas está um pouco queimado devido ao forte calor dos últimos dias.

 

Na região serrana, devido ao relevo e o clima, o plantio ocorre mais tarde e com isso, a colheita também se inicia mais tarde - a partir de meados de janeiro, se estendendo até o mês de março. Naquela região, a cultura se encontra em plena fase de desenvolvimento, onde os fumicultores estão fazendo os tratos culturais, como o desponte e a aplicação do antibrotante. Ainda segundo Ogliari, a situação dos fumicultores naquela região não está muito boa pois o tabaco não se desenvolveu plenamente, despontado com menos folhas que o normal.

 

QUALIDADE E PRODUTIVIDADE

Com um total de 60 mil pés plantados, Ornélio Funck, morador de Linha Hansel, estima encerrar a colheita nesta sexta-feira, 11. O sol forte verificado nas últimas semanas queimou em parte as folhas ponteiras e, para evitar maiores perdas e agilizar a colheita, Funck está utilizando estufas de vizinhos para efetuar a cura e secagem do tabaco. 'Quanto à qualidade e a quantidade na lavoura, não posso me queixar', afirma, acentuando que espera que as tabacaleiras façam a parte delas, ou seja, que comprem o produto dentro da classe e paguem o valor que ele realmente vale.

Funck adianta que logo após o encerramento da colheita, vai plantar milho na resteva, onde uma parte será colhida em grão e o restante será ensilado e, após ensilar o grão, vai introduzir a adubação verde para o plantio do tabaco da próxima safra.

 

2º LUGAR NO RANKING

Ainda segundo estimativas da Afubra, o município deverá colher em torno de 20.872 toneladas na safra 2018/19, quantidade inferior à safra passada, que somou 22.832 toneladas. Com isso, pela segunda safra consecutiva, Venâncio Aires ocupa o segundo lugar no ranking de municípios produtores de tabaco em folha do Brasil. Em primeiro lugar aparece Canguçu, com 22.142 toneladas.

Na avaliação de Ogliari, Venâncio Aires perdeu a primeira posição para Canguçu devido a diversos fatores. Um deles, observa ele, é porque os fumicultores daquele município estão investindo forte na fumicultura e a base da economia de Canguçu é a agricultura. 'Além disso, não há muitas outras opções para investir, pois são propriedades pequenas e o município não tem muitas indústrias', observa.

Ogliari também aponta outros fatores que influenciaram na redução da produção de tabaco em Venâncio Aires. Ele cita, por exemplo, que os produtores estão ficando velhos e se aposentando e com isso, reduzem a quantia ou até mesmo, encerram o plantio. Outro fator é a migração para as indústrias próximas à cidade, principalmente, daqueles que residem nas localidades lindeiras e que se empregam nas mais diversas atividades industriais. 'Eles, trabalhando numa indústria, tem salário garantido no fim do mês, tem plano de saúde e não dependem do clima para ter sucesso com o tabaco', salienta.

Outro fator, acrescenta o supervisor técnico, é a lei que proíbe que menores de 18 anos trabalhem na lavoura. 'Quando atingem esta idade, não estão preparados para as lidas da roça, de modo especial, a produção de tabaco, sem falar de outras dificuldades, como o péssimo sinal de telefone e internet no interior, e com isso, eles são desestimulados para permanecerem na roça', acentua.

'No ano em que os fumicultores colhem uma safra cheia, ganham um bom dinheiro, porém, quando há quebra, a situação fica difícil.'
PAULO VICENTE OGLIARI - Gerente do Departamento de Supervisão Técnica da Afubra

 

Fonte: Folha do Mate
Créditos: Edemar Etges
Foto: Alvaro Pegoraro 

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