Conhecimento técnico e criatividade em ação na Escola Wolfram Metzler

Publicado em 04/12/2018 às 11h41

Laura, Stéfani e Maria Rita desenvolveram produto à base de própolis, pólen e geleia realElas usaram a criatividade, colocaram a mão na massa e desenvolveram produtos inovadores. Seis alunas do curso técnico em Agroindústria integrado ao ensino médio da Escola Estadual Wolfram Metzler se destacaram em feiras de trabalhos, ao longo deste ano, com projetos relacionados às áreas de apicultura, cunicultura e avicultura.

Laura Morgana de Almeida e Naiara Rehbein do Prado, ambas com 17 anos, queriam desenvolver um trabalho sobre coelhos, mas não cogitavam o abate dos animais. Em meio às dúvidas sobre o que fazer, o que, aparentemente, era um problema foi impulso para o projeto: as fezes de coelho. O trabalho conquistou o 1º lugar na 15ª Mostra das Escolas Estaduais de Educação Profissional (MEP) do Rio Grande do Sul, em setembro, no eixo 'Produção Alimentícia".

'Elas estão sempre sendo produzidas, mas não havia uma utilização específica na escola. Pesquisamos sobre o esterco de coelho e nos surpreendemos com a quantidade de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) que ele apresenta, muito superior aos demais estercos, como de ave ou boi', relata Laura.

A confirmação ocorreu com uma experiência prática: um canteiro foi dividido em cinco partes, onde foram plantadas alfaces. Em cada uma, foram utilizados adubos diferentes, incluindo o químico e de boi. A área onde foi utilizado o esterco de coelho produziu hortaliças maiores e bem mais vistosas que as demais. 'Quando levamos as alfaces para a feira de trabalhos, todo mundo levantava para ver se não eram duas', conta Naiara.

Outro aspecto que chamou atenção das estudantes foi que, na parte do canteiro onde foi utilizado o esterco de coelho, não nascia brejo. 'Não sabíamos porque. Um dia, participamos de uma palestra quando explicaram que o inço só nasce em solos onde faltam nutrientes, o que mostra o quanto o esterco de coelho ajuda a deixar a terra com todos os nutrientes', comenta Laura.

 

Continuidade 

Agora, as meninas estão ansiosas para tirar do papel uma nova etapa do projeto. Por meio de uma parceria com a Emater, será realizada uma análise do esterco, para saber exatamente a quantidade de nutrientes. Para elas, que no próximo ano ingressam no 3º do ensino médio, o projeto tem viabilidade de se tornar um empreendimento, inclusive porque muitas pessoas já se interessaram no adubo natural.

De acordo com as estudantes, se o produto fosse comercializado, seria em embalagens de dois quilos, já que a quantidade é ideal para utilização em um canteiro de um metro quadrado. 'Muitas vezes os agricultores têm acesso ao esterco, mas não reconhecem o potencial que ele tem. Além disso, é um adubo que não vai impactar o meio ambiente, se compararmos com o adubo químico', ressalta Laura.

'Demos uma utilidade para o esterco de coelho da escola. Agora, ele realmente é usado e, com isso, beneficiamos também a parte do refeitório, com alimentos de qualidade e sem adubo químico.'
LAURA MORGANA DE ALMEIDA - Estudante

 

Atenção 

Para quem quiser utilizar o esterco de coelho em alguma horta, as estudantes da Escola Wolfram Metzler dão uma dica importante: é fundamental deixá-lo secar por sete dias, antes de aplicá-lo. 'Se aplicar direto, vai queimar as plantas, por causa da urina do coelho, que é muito ácida', explica Laura. 'Deixando secar antes de usar, o adubo não tem cheiro nenhum. O que tem cheiro forte é a urina do coelho e não as fezes', complementa Naiara.

 

Ovos em pó

O trabalho de Ana Carolina Bienert, 17 anos, tem um título curioso: 'Processamento de ovos in natura em ovos em pó'. O projeto, que foi um dos destaques da III Mostra Regional de Projetos, no início de novembro, detalha uma possibilidade para facilitar o transporte de ovos e garantir o mesmo sabor e nutrientes do produto, além de proporcionar maior durabilidade.

'O ovo in natura dura três meses, mas a validade de um ovo em pó é de até um ano. Além disso, o índice de contaminação por salmonela e outras substâncias é menor', cita Ana Carolina. As vantagens do produto não param por aí: o produto é fácil de guardar e pode ser utilizado em qualquer receita, substituindo o ovo 'tradicional'.

A ideia do projeto surgiu este ano, depois de Ana Carolina se dedicar a pesquisas sobre os benefícios dos ovos e as normas para agroindústrias do ramo, no ano passado - ao longo do ensino médio, todos os alunos do curso técnico em Agroindústria escolhem uma área técnica da escola para desenvolver seus projetos.

'Pensei em algo diferente que é pouco conhecido, apesar de ovos em pó existirem desde a Segunda Guerra Mundial, quando havia racionamento de alimentos', contextualiza. Ao mesmo tempo em que a proposta desenvolvida pela estudante é uma possibilidade de empreendimento, é também um receita que pode ser feita em casa. 'Depois que fiz a experiência e divulguei, várias pessoas se interessaram e começaram a fazer em casa', conta.

A receita dos ovos é feita com ovos de galinha cozidos. Descascados e picados em pequenos pedaços, eles devem ser colocados em uma forma antiaderente e levados ao forno com temperatura de 46º C, durante 12 horas. 'Não é possível aumentar a temperatura e diminuir o tempo, porque o objetivo é desidratar o ovo', explica.

As migalhas secas devem ser trituradas em um processador, até se transformarem em pó, que pode ser guardado em local seco, vidro ou embalagem plástica. Para utilizar o ingrediente em alguma receita é preciso apenas adicioná-lo com água, em quantidade específica: duas colheres de sopa do pó e seis colheres de sopa de água equivalem a um ovo in natura. 'O ovo em pó pode ser utilizado em qualquer receita e o uso é muito comum em grandes redes de hotéis, hospitais e confeitarias', observa Ana Carolina.

 

Estimulador de imunidade a partir de co-produtos do mel

Stéfani Almeida de Oliveira, 16 anos, Laura Eduarda Wenzel, 16 anos, e Maria Rita Moraes, 17 anos, escolheram a área técnica mais conhecida da Escola Wolfram Metzler para desenvolver seu trabalho: a apicultura. 'O próprio símbolo da escola é uma abelha', observa Stéfani. A ideia das colegas, entretanto, foi além mel e de suas conhecidas propriedades. A partir da utilização de própolis, pólen e geleia real surgiu o 'Estimulador de imunidade: complemento alimentar a partir de co-produtos do mel'.

'Pesquisamos e eles têm potencial de vitaminas e sais minerais. O objetivo era fazer algo natural. Ainda não temos uma comprovação científica, mas percebe-se que quem utiliza tem uma maior resistência a pegar resfriados', explica Maria Rita. O produto precisa ser refrigerado e tem uma consistência pastosa.

O projeto conquistou 2º lugar na Mostra das Escolas Estaduais de Educação Profissional deste ano, no eixo 'Produção Alimentícia'. A sugestão de uma avaliadora, durante a feira, pode garantir um novo capítulo no estudo: o desenvolvimento de cápsulas do estimulador de imunidade. 'É uma forma de aumentar a durabilidade e facilitar o consumo, para que não gosta do cheiro ou do gosto', comenta Stéfani.

 

Fonte: Folha do Mate
Créditos e Foto: Juliana Bencke

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