Correios afirmam que entregas estão em dia, mas população contesta

Publicado em 09/05/2018 às 13h32

Soldador Jair Foppa encaminhou transferência do veículo em dezembro de 2017 e só agora conseguiu resgatar a documentaçãoO assunto deste início de semana é o indicativo dos Correios de que agências serão fechadas em todo o Brasil e, por consequência, funcionários serão demitidos. Fala-se em 513 unidades que teriam suas atividades interrompidas e cerca de cinco mil trabalhadores dispensados. Presidente da estatal, Carlos Fortner confirma os planos de readequação da rede de atendimento, mas garante que não há números oficiais - de agências que serão fechadas e desligamentos - para serem divulgados neste momento.

A manifestação de Carlos Fortner deixou não apenas os trabalhadores, mas também a comunidade apreensiva e, em meio a tantos comentários, veio à tona, novamente, a questão das entregas feitas pela empresa. No que diz respeito a Venâncio Aires, há divergências de informações: enquanto os Correios afirmam que as entregas estão em dia, a população contesta, relatando atrasos de todos os tipos. Além disso, um trabalhador do Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) ouvido pela Folha do Mate - que pediu para ter a identidade preservada - revela que cerca de 20 mil correspondências estão represadas.

A falta de recursos humanos é apontada como a principal causa do acúmulo de itens no CDD local. Vagas deixadas por trabalhadores que optaram pelo Plano de Demissão Voluntária (PDV) estão sem reposição e vacância é combatida a partir da contratação de carteiros terceirizados, que dependem de renovação de contratos a cada três ou quatro meses, segundo informou a fonte. Também aparece como justificativa para a sobrecarga de trabalho a apresentação de atestados médicos por problemas gerados pela intensidade do trabalho.

 

DOCUMENTO - O soldador Jair Foppa, de 37 anos, comprou um automóvel e, em dezembro do ano passado, fez a transferência do veículo para o seu nome. Efetuou os pagamentos necessários e ficou à espera da chegada da documentação, o que só foi acontecer nesta segunda-feira, 7, quando esteve na agência dos Correios de Venâncio Aires, localizada na rua Tiradentes, para resgatar a papelada. 'Esta foi a primeira vez que precisei do serviço e já tive que aguardar muito tempo. Finalmente chegou o que eu precisava', aliviou-se.

 

NOTA DOS CORREIOS

1 - O município de Venâncio Aires é atendido por uma agência própria dos Correios (local onde atuam os atendentes e onde são feitas postagens de objetos e venda de serviços dos Correios aos clientes) e um CDD - Centro de Distribuição Domiciliária (local onde atuam os carteiros que fazem a entrega de correspondências e encomendas à população). A entrevista do presidente dos Correios, Carlos Fortner, se refere à readequação da rede de atendimento, ou seja, das agências. Essa ação não tem relação com as unidades de distribuição (CDDs).

2 - Cabe esclarecer que o projeto de redesenho da rede de atendimento visa a melhoria dos serviços à população e que, ao final de sua implantação, o número de canais disponibilizados para o atendimento ao público será maior do que o número de agências hoje existentes no país.

3 - A empresa vem realizando estudos pormenorizados de readequação de sua rede, o que inclui não apenas a sua rede física de atendimento como também novos canais digitais e outras formas de autosserviços.

4 - Tais estudos são, inclusive, acompanhados pelo Tribunal de Contas da União, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.

5 - Dentre os objetivos desse projeto está contemplada a modernização da empresa para torná-la mais ágil, competitiva e sustentável, gerando não apenas benefícios para a sociedade como também resultados para o seu acionista controlador: o Tesouro Nacional.

6 - O número de unidades que terão suas atividades encerradas ainda não está definido. As conclusões alcançadas pelos estudos necessários a este projeto somente serão divulgadas após a exaustiva avaliação interna dos Correios e externa pelos órgãos competentes, processo este ainda em curso.

7 - Em relação à distribuição de objetos em Venâncio Aires, os Correios informam que a entrega está em dia, não tendo objetos acumulados na unidade. Casos pontuais podem ocorrer e para registrar reclamações, a população pode acessar o 'Fale com os Correios', no site www.correios.com.br , ou ligar para a Central de Atendimento aos Clientes dos Correios (CAC), pelo telefone 0800 725 0100.

 

'A impressão é que querem sucatear tudo'

Nesta terça-feira, 8, um trabalhador dos Correios de Venâncio Aires aceitou falar com a reportagem da Folha do Mate, desde que sua identidade fosse mantida em sigilo. Ele explicou que o município é dividido em 13 áreas para entregas de encomendas e correspondências e que, atualmente, apenas seis áreas estão cobertas por carteiros concursados. 'O restante são funcionários terceirizados', diz. Ele concorda que as encomendas e registrados estão em dia, mas afirma que pelo menos 20 mil correspondências estão acumuladas no Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) da unidade da rua Tiradentes.

O trabalhador salienta que o problema não é uma exclusividade da Capital Nacional do Chimarrão: 'Toda a região, estado e país estão assim. Em Lajeado, que é uma unidade maior, a informação é de que cerca de 100 mil cartas estão abarrotando o CDD'. Ele também pede que a população não se revolte contra os carteiros, que não têm culpa pela falta de pessoal e acabam sofrendo por conta da sobrecarga. 'A impressão é que querem sucatear tudo, deixar quebrar e mostrar que o governo não consegue administrar, para passar à iniciativa privada. Mas os trabalhadores não querem isso e são dedicados', garante.

Todos os dias, conforme a fonte, chegam ao CDD pelo menos cinco mil novas correspondências, em média, o que inviabiliza a redução do número que já está represado. Além disso, são entre 300 e 400 novas encomendas diariamente, o que exige agilidade dos funcionários que trabalham com veículos e motocicletas. 'Só se fala em cortar gastos e é uma pressão o tempo todo por resultados que a gente sabe que não são possíveis. É um efeito-cascata, com a cobrança vindo de cima para baixo', conclui.

'A situação está bem longe da tranquilidade. Fizeram PDV, não repuseram o pessoal e, por fim, passaram a cobrar pelo nosso plano de saúde, que antes só pagávamos 10% do valor da consulta.'
FUNCIONÁRIO DOS CORREIOS
Que pediu para ter a identidade preservada

 

Fonte: Jornal Folha do Mate
Créditos: Carlos Dickow 
Foto: Alvaro Pegoraro

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