Depois da tempestade, o recomeço

Publicado em 26/12/2018 às 13h29

Ao lado do filho Héron, Liviane dá início a um novo cicloO fim de 2018 marca o recomeço para a professora Liviane Cristina Keller, 39 anos, depois de um ano de muitas mudanças, transformações e dificuldades. 'Classifico essa fase como renascimento, estou preparando o terreno.'

Em 31 de maio, Liviane teve uma crise grave de depressão e só acordou no dia seguinte, no hospital. 'Me contam que dirigi durante três horas, mas não aconteceu nada, o anjo da guarda estava comigo. Foi nesse momento que o cérebro mostrou que precisava parar. Me contam que travei, não falava mais, não conversava, não lembrava quem eu era. Só meu coração e pulmão que não desligaram.' 

Nesta semana, Liviane retornou ao mesmo quarto onde esteve internada para cantar aos pacientes, junto da Caravana de Natal do coral Venâncio em Canto, que acompanha há 8 anos. 'Cantar sempre foi emocionante. Esse ano foi diferente porque, 6 meses depois, passei naquele corredor onde estive internada. Voltei cantando, eu estou renascendo.'

Vários fatores contribuíram para o quadro depressivo que levou Liviane ao hospital, neste ano. Alguns deles ocorreram ainda na adolescência. Além disso, há 12 anos, a morte do avô foi um grande baque. 'Ele ficou internado para fazer exames de rotina no dia seguinte, mas não tinha nada, era só para evitar as locomoções distantes do interior. Pensei em visitá-lo, mas acabei não indo. E naquela noite, ele teve uma parada cardíaca e acabou falecendo', lembra. 

Dois anos depois, uma série de coisas aconteceu na vida de Liviane, incluindo situações judiciais e de saúde na família, que agravaram a depressão. 'Em 2008, foi o ano que o mundo terminou', lembra, ao observar que, mesmo assim, ela permanecia sorrindo. 'Era a 'depressão sorridente'. Por fora estava bem, mas o sentimento interno não estava nada bom.' 

Foi nesse ano que Liviane decidiu que queria ser mãe, benção que veio em 20 de janeiro de 2011. A alegria da chegada do filho, porém, veio acompanhada de desafios. Os primeiros 5 meses de vida do filho, Héron Sebastian Keller da Cunha, foram tranquilos, até que aconteceu a primeira crise de asma.

Em setembro de 2011, Liviane quase perdeu o filho devido aos problemas de saúde. 'Fui em diversos médicos, testamos vários medicamentos, mas tudo era muito lento. Foi uma cena muito forte, ver ele nos meu braços daquele jeito.' 

Em 2012, assumiu a direção da Escola Estadual de Ensino Médio Sebastião Jubal Junqueira, onde permaneceu durante cinco anos sem se 'desligar', sem férias. Nesse momento, o corpo de Liviane começou a dar sinais, que para ela não serviram de alerta. Entre as consequências na saúde estiveram, inclusive, aumento de peso, labirintite e perda da voz. 'O organismo pedia para parar e eu não entendia esse sopro'.

 

Estopim

No fim de 2016 começaram as crises de ansiedade. 'Eu não tratava a causa, a depressão. Só os sintomas.' Em 2017, acabou novamente sem férias, em função da greve dos professores, que fez com que o ano letivo se estendesse até início de 2018. Apesar disso, ela se sentia bem, por atuar na escola onde havia estudado. 

Em março, o fim de um relacionamento de 22 anos foi o estopim. 'Chorava dia e noite, mas meu lema continuava sendo 'eu sou forte', como em todos esses anos eu repetia.' Foi então que no dia 31 de maio, ela teve o surto. 

Mais de meio ano depois, Liviane segue com o tratamento, embora já tenha reduzido a quantidade de medicamentos. Junto, veio a terapia comportamental, a qual exercita desde setembro e por meio da qual conseguiu recomeçar. 'Antes eu não dizia não. Hoje, meu lema é 'não consigo controlar o que os outros fazem, mais consigo controlar como vou reagir'.'

É um novo ciclo, uma nova fase, após toda essa reviravolta. Vou reiniciar pensando em mim.
Tentar me reerguer. Sei que não é fácil, mas vou conseguir, e o Héron é a minha vida."
LIVIANE CRISTINA KELLER - Professora

 

A professora acredita que é fundamental que as pessoas que convivem com alguém com quadro depressivo precisem se informar, para não prejudicar. 'Depois da terapia comportamental pela primeira vez, pensei em mim, iniciei um emagrecimento saudável, fiz faxina no guarda-roupa, doei tudo e perdi 20 quilos neste período.' Ao mesmo tempo, ela aconselha as pessoas a pedirem ajuda e não terem preconceito. 'Não teria chegado tão fundo se tivesse pedido ajuda antes. Nunca imaginei que ia passar por isso. Força e razão eram o meu lema. Nunca percebi meu problema, hoje, consigo refletir.'

 

Renovação

Entre as metas de 2019 de Liviane estão retornar ao trabalho. Enquanto isso, a professora aproveita o tempo ao lado do filho. Neste ano, pela primeira vez reservou um tempo para, junto de Héron, montar a árvore de Natal. Além disso, neste Natal, o presente de mãe e filho será diferente: vão coletar as moedas do cofre e realizar o sonho do Héron de ter uma fonte em casa. 'Esse vai ser o nosso presente de Natal. E o ciclo da água é um símbolo para mim, pois ela vai se renovando ao longo do percurso, assim como eu.'

 

Fonte: Folha do Mate
Créditos e Foto: Rosana Wessling

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