Dicas que podem salvar vidas

Publicado em 06/08/2018 às 17h01

Tatiana e Lima demonstram o procedimento que deve ser realizado em situação de engasgamento de criançasEntre uma brincadeira e outra, um tombo, uma queimadura ou um engasgo colocam crianças em perigo e deixam pais e professores, muitas vezes, sem saber como agir. Em meio ao susto, manter a calma e acionar o socorro são as medidas principais para garantir a resolução do problema. Saber como agir e realizar os primeiros socorros, entretanto, também pode fazer toda a diferença.

'Qualquer pessoa leiga pode executar a tarefa até a chegada de uma equipe especializada e evitar danos e sequelas maiores', afirma a enfermeira Tatiana Kader Ibdaiwi, especialista em Urgência e Emergência e coordenadora do curso técnico em Enfermagem da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) campus Venâncio Aires.

Ela e o médico Ben-Hur Moraes de Lima explicam que os primeiros socorros são importantes para reduzir as chances de sequelas na criança. No caso de engasgamento, realizar manobras adequadas faz com que a criança consiga expelir o objeto ou líquido que estejam obstruindo a via aérea, contribuindo para que ela reestabeleça o padrão ventilatório. 'Em uma parada cardiorrespiratória, em geral, a partir de três minutos podem ocorrer sequelas neurológicas irreversíveis devido a hipóxia cerebral, que é a falta de oxigênio no cérebro', observa Lima, que possui capacitação em Suporte Básico e Avançado Adulto e Pediátrico pela American Heart Association.

Em 23 de julho, a Câmara de Vereadores de Venâncio Aires aprovou por unanimidade projeto de lei de autoria do Executivo que prevê a obrigatoriedade da realização de cursos de primeiros socorros para professores e demais servidores que têm contato direto com alunos das escolas da rede pública do município.

A chamada 'Lei Lucas' faz alusão ao caso do menino Lucas Begalli Zamora de Souza, 10 anos, de Campinas, São Paulo, que morreu após se engasgar com um cachorro-quente durante um passeio escolar em 2017.

Socorristas que atenderam o caso avaliaram que, se houvesse a presença de um profissional de primeiros socorros no momento do incidente, a morte poderia ser evitada. O projeto ainda não é lei federal e surgiu da mobilização de Alessandra Zamora, mãe de Lucas. Conforme a justificativa do projeto de lei aprovado em Venâncio Aires, 'há poucas pessoas habilitadas a lidarem com uma situação de emergência, inclusive, entre os profissionais que lidam com crianças.'

EFETIVIDADE

Lima e Tatiana concordam com a relevância da lei, como forma de garantir mais segurança aos estudantes, professores e funcionários das escolas. No entanto, na opinião do médico e da enfermeira, para garantir a efetividade da legislação, devem ocorrer capacitações com profissionais da área de urgência e emergência, nas quais os participantes possam aprender e simular situações de primeiros socorros.

'Talvez não se consiga qualificar todos os servidores das escolas, mas se pode formar uma equipe em cada instituição, capacitando pessoas que têm aptidão para isso e que estejam em diferentes turnos na escola', comenta Tatiana.

Uma sugestão do médico é que sejam elaborados projetos de lei para captação de recursos e assim viabilizar a capacitação. 'É importante que sejam cursos nos quais as pessoas possam, realmente, aprender a executar as manobras, que não seja algo superficial', pontua.

>> 4,5 mil crianças brasileiras de 1 a 14 anos morrem, todos os anos, e outras 122 mil são hospitalizadas devido a acidentes, conforme dados do site Criança Segura.

>> Em um caso de urgência, a orientação é de que as pessoas, primeiramente, acionem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, e mantenham a calma durante as manobras. Os primeiros socorros não excluem a necessidade de atendimento médico.

Capacitação na rede municipal

A lei aprovada há cerca de duas semanas entra em vigor 120 dias após a data da sua publicação. Segundo a secretária municipal de Educação, Joice Battisti Gassen, a secretaria já têm o compromisso de oferecer os cursos de primeiros socorros, já que está em fase de implementação do Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndios (PPCI) nas escolas de educação infantil. 'Independentemente da lei, nós já teríamos que oferecer esses cursos, mas a lei só vem para agregar.'

Joice destaca que, dessa forma, todos os professores e funcionários do espaço escolar irão receber a preparação. 'A lei vai fazer com que a gente tenha um olhar mais detalhado e que os professores fiquem atentos de que pode acontecer esse tipo de caso', salienta.

O que fazer em situações de emergência com crianças

Engasgamento

É recomendável apoiar a criança no antebraço do adulto de barriga para baixo (bruços), com a cabeça levemente inclinada para baixo, e dar tapas firmes nas costas, com a palma da mão ou o punho. Com bebês, é muito comum o engasgamento durante o aleitamento materno, mas também pode acontecer com comida ou pequenos objetos. A orientação é de que não se tente tirar o objeto da boca da criança com as mãos, pois há risco de empurrá-lo ainda mais. A partir do 1º ano de idade ao invés do antebraço deve-se colocar a criança sobre os joelhos e realizar as mesmas manobras acima descritas.

Cortes maiores

É necessário comprimir o local do ferimento com algum pano limpo - que pode ser uma fronha ou um lençol -, enquanto aguarda-se o atendimento médico. Em nenhuma hipótese é recomendável aplicar algum remédio, pomada ou até mesmo água sobre o corte, devido ao sangramento e por não ter certeza da profundidade. Da mesma, não se deve tentar remover pedrinhas, terra ou outros objetos que estejam no ferimento. 'Depois de comprimido o ferimento com o pano, nada de dar olhadinhas', orienta a enfermeira Tatiana Kader Ibdaiwi, ao explicar que, com a compressão, forma-se um coágulo, e parar de comprimir pode desfazê-lo, aumentando o sangramento.

Fraturas

O primeiro passo é imobilizar o local da fratura e então fazer o uso de talas, que podem ser feitas com madeira ou papelão, além de tipoias improvisadas. Alguns procedimentos não devem ser feitos, como tentar colocar o osso no lugar ou forçar movimentos na área fraturada. Não deve-se oferecer alimentos, líquidos ou até mesmo água para a criança, pois é necessário que ela esteja em jejum, caso necessite de algum procedimento anestésico durante o atendimento médico.

Convulsão

Recomenda-se deitar a pessoa no chão, de lado, e acomodar a cabeça de forma protegida, com um travesseiro ou mesmo um casaco dobrado. Como o corpo da paciente ficará se debatendo, é importante afastar os objetos e móveis para não machucar e com dois dedos estender levemente a mandíbula, para erguer suavemente a cabeça e facilitar a respiração. Tatiana e o médico Ben-Hur Moraes de Lima esclarecem que engolir a língua é um mito e explicam que, na hora de chamar a ambulância, é importante ser preciso na localização para o atendimento ser o mais rápido possível. Se a crise convulsiva ocorrer na sala de aula, outra dica é afastar os demais alunos do local, garantindo melhor ventilação do ambiente.

Queimadura maiores

Não recomenda-se lavar a queimadura com água gelada ou colocar babosa, clara de ovo e gelo, nem mesmo cremes. É importante frisar que queimaduras requerem atendimentos específicos, por isso, deve-se buscar logo assistência médica. Se o tempo de espera for muito grande pode-se lavar a área afetada com água corrente por cinco minutos para aliviar a dor, limpar o locar e impedir que a queimadura cresça. Caso não receber tratamento adequado, a queimadura pode evoluir para uma infecção grave. Hidratar o paciente também é crucial, pois a queimadura absorve líquidos do corpo de forma agressiva.

 

Fonte: Jornal Folha do Mate
Créditos: Juliana Bencke e Rafaela Etges* 
Foto: Rafaela Etges*

*Estagiária voluntária em período de férias.

 

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