Do mate ao tereré, o companheiro para os dias quentes

Publicado em 07/01/2019 às 09h00

Patrícia e Da Rosa descobriram o tereré há cinco anos e desde então os dias quentes possuem a bebida como aliada se refrescarem"Qual a diferença entre o tereré e o chimarrão?" A pergunta, simples e direta, revela, na verdade, um universo de culturas e tradições. Com a intensa onda de calor dos últimos dias, o consumo do tereré, bebida típica feita de erva-mate com água fria ou gelada, passou a ganhar cada vez mais espaço entre os venâncio-airenses. A venda de erva específica para o chima gelado aumentou em até 20%, informam gerentes consultados pela reportagem.

Os sabores são diversos: menta com limão, uva com menta, abacaxi com hortelã, tutti-frutti, laranja com acerola. Também tem a erva tradicional. 'O tereré em nossos grupos de amigos é cada vez mais popular. Embora o chimarrão tradicional seja insubstituível para muitos adultos, entre os jovens a opção é pelo tereré', conta Patrícia Silveira, 22 anos.

Ela e o namorado Rodrigo da Rosa, 23, não abriram mão do tereré nos dias de calor extremo. 'O preparo é fácil e as opções de mercados com a erva específica ganha cada vez mais espaço nos mercados', cita Rosa. Ele também lembra que os dois são adeptos da bebida tradicional do centro-oeste brasileiro, principalmente no Mato Grosso do Sul, há pelo menos cinco anos.

 

NOVOS LANÇAMENTOS

De olho nessa nova fatia do mercado local, mas acima de tudo regional, as indústrias ervateiras de Venâncio Aires incrementam seus lançamentos nesse segmento. Em dezembro, a Elacy lançou o tereré em pacotes de 500 gramas, nos sabores natural, limão e menta, abacaxi e menta e boldo e menta.

De acordo com um dos diretores da empresa, Gilberto Luiz Heck, o produto foi desenvolvido com o objetivo de expandir a comercialização para estados de clima mais quente, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além de ser uma alternativa para o verão e uma forma de atingir um público mais jovem.

Heck também observa que o tereré é o produto para melhor utilização da erva-mate produzida em Venâncio Aires. Ele explica que, por conta de aspectos climáticos e do solo, a erva local é mais 'encorpada, consistente'. 'Ela se adapta melhor ao tereré do que para qualquer outro produto', ressalta.

 

TENDÊNCIA ENTRE OS JOVENS

A tendência da boa aceitação entre os jovens pela bebida gelada também é compartilhada e notada pelo diretor da Madrugada Alimentos, Lúcio Metzdorf. 'Virou tendência entre os jovens, pois é um público que tem mais facilidade de se adaptar, se comparado a alguém que só bebeu chimarrão a vida toda.'

Metzdorf também destacou a sazonalidade no consumo, já que a venda da erva para o tereré ainda se concentra nos meses quentes. 'No inverno a procura é muito baixa.' No Rio Grande do Sul, segundo o empresário, o principal mercado é a grande Porto Alegre.

Já o proprietário da ervateira Santa Emília B1, Jaime Bergamaschi, que oferece pelo terceiro ano consecutivo erva-mate para o tereré também localmente, se surpreende com a boa aceitação. 'A maioria da erva-mate para o tereré, beneficiada por nós, inevitavelmente, ainda segue para o centro-oeste brasileiro, mas aos poucos ela vem ganhando também espaço por aqui'.

 

Diferença entre tereré e chimarrão 

A diferença entre o chimarrão e o tereré vai além da temperatura da água e da espessura da erva. Tem muita história e tradição por trás dessas duas bebidas. No entanto, o engenheiro florestal, Roberto Ferron, ex-diretor-executivo do Instituto Brasileiro da Erva-Mate, explica a principal diferença entre a erva que vai no chimarrão e a erva que vai para o tereré: "A diferença é que a erva do chimarrão é mais fina, mais forte e tem que ser com água quente. Aí, temos a erva de tereré. Ela é mais grossa, para colocar água gelada".

No Brasil, quase toda a produção de erva-mate se concentra no Sul do país. Já o hábito de se tomar o tereré, que é uma espécie de chimarrão frio, é muito forte no Paraguai. Por lá é a bebida oficial e patrimônio cultural. O título foi aprovado em fins de 2010 pelo Congresso Nacional do Paraguai que definiu ainda o último sábado de fevereiro como o Dia Nacional do Tereré. Para muitos paraguaios, o tereré é considerado tão importante quanto as danças folclóricas do país. Por conta dos fortes laços que vem desde a época pré-colombiana, o tereré ganhou com o tempo também as províncias do nordeste argentino e no Brasil, a região do Mato Grosso do Sul, por exemplo.

Cada bebida é feita em um tipo de recipiente específico. A do tereré é tradicionalmente chamada de 'guampa', já que a maioria possui de fato o formato de chifre de boi, cortado, e é revestido com couro. Enquanto que a cuia - porongo curtido - fica mais reservada para o chimarrão. Há diferença também na bomba. No tereré ela passa a ser denominada de bombilha e pode ser de metal ou de taquara. Já o material da bomba tradicional do chimarrão é de prata.

 

Dicas para um bom tereré

O nome tereré, ensinam os paraguaios, é onomatopaico e está relacionado aos últimos goles que se faz ao sugar a bebida. O essencial na bebida é a erva-mate, que depois de industrializada, é despejada em um copo chamado guampa, que é feito de chifre de gado, embora também sejam usados recipientes de metal, vidro e até plástico.

É preciso saber selecionar frutas cítricas. Embora possa ser escolhido qualquer suco de fruta para dar sabor à água, o que melhor se adequar e traz uma vantagem refrescante são os citros: laranja, galego, lima ou limão. Eles são considerados os aliados perfeitos para um bom tereré. Também é possível agregar a partir de um toque de ervas. Podem ser adicionadas na água menta, hortelã, erva boa e boldo. Canela e cravo também são uma boa escolha e combinam bem com certas frutas.

Além disso, a erva ideal para o tereré deve ter um percentual maior de pau e folhas sem muita moagem. Nas gôndolas deve se dar preferência para as que contenham os dizeres 'Para tereré' ou 'saborizadas'. Também é importante que não falte gelo. Quando a temperatura ambiente sobe bastante é preciso ser generoso na adição de gelo, que pode estar em jarra de suco, garrafa térmica ou frasco.

 

Fonte: Folha do Mate
Créditos e Foto: Cristiano Wildner 

 

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