Greve: Legislativo ouve pais, estudantes e professores

Publicado em 25/10/2017 às 09h28

Ritiele, Fabiane e Marione deram seus depoimentos na sessão da Câmara desta segunda-feiraPais, alunos, professores e vereadores acreditam que apenas a união de todos é capaz de sensibilizar o Governo do Estado a se comprometer em pagar os salários do magistério em dia e, dessa maneira, promover o retorno dos educadores às salas de aula, colocando fim à greve que teve início no dia 5 de setembro.

Na noite desta segunda-feira, 23, a tribuna do Legislativo foi ocupada pela presidente do Conselho de Pais e Mestres da Escola Estadual de Ensino Médio Monte das Tabocas, Fabiane Bergmann; pela estudante Ritiele Rosa, do 1º ano do ensino médio da mesma instituição; e também pela diretora do 18º Núcleo do Cpers/Sindicato, Marione Drebel. Cada uma com seu ponto de vista, as três falaram sobre as angústias que a paralisação está causando e pediram ajuda aos parlamentares no sentido de encerrar a greve.

Fabiane disse que tem dois filhos no Monte das Tabocas e que ficou sabendo da paralisação a partir do momento em que eles avisaram que estariam retornando para casa, no dia 5 de setembro, porque não haveria aula. De lá para cá, revelou ela, a comunidade escolar, em especial os alunos, buscam dia após dia informações sobre a retomada do ano letivo, mas até agora não sabe ao certo que vai acontecer. Fabiane também comentou que 'estamos em uma cidade de safra e os trabalhadores não podem sequer fazer 'bicos' ou faxinas, uma vez que os filhos estão em casa e é arriscado deixá-los sozinhos'.

Ela afirmou que respeita os professores e entende o drama que estão enfrentando, porém pediu que eles voltem às aulas e garantam a conclusão do ano letivo. 'Temos vários adolescentes que querem aderir ao Menor Aprendiz ou fazer vestibular, além daqueles que pretendem acessar o IFSul. Já não temos como assegurar se os estudantes não vão perder prazos em razão da greve', disse. Ritiele, por sua vez, leu uma mensagem que, basicamente, buscava sensibilizar os professores. Também pediu a eles que retomem as atividades. 'Por que nós, alunos, precisamos ser penalizados nesta situação?', indagou ela.

CPERS - Marione Drebel admitiu que o Cpers se equivocou ao não anunciar a paralisação antes e convocar os pais e estudantes para explicar os reais motivos da mobilização da categoria. Por outro lado, ela ressaltou que a greve é legítima, pois os servidores estaduais chegaram ao 22º mês com os salários parcelados. 'É importante que as pessoas saibam que, neste tempo todo, temos buscado o diálogo com as comunidades e com o Governo do Estado. No entanto, não estamos sendo ouvidos e temos dívidas acumuladas e 13º salário parcelado em 12 vezes, além da ameaça de parcelamento em 24', queixou-se.

A diretora do Cpers também lembrou que os professores estão há três anos sem reposição salarial, o que no seu entendimento é uma clara manifestação de que o Estado 'não valoriza a Educação'. De acordo com Marione, são os professores que lutam contra o sucateamento das escolas e por ensino de qualidade. 'Damos conta muito além do conhecimento e estamos dispostos a conversar. Porém, não adianta o governador vir com promessas ou pedido de sensibilidade, porque isso não paga as minhas contas', disparou. Ela afirmou que os educadores têm compromisso de recuperar as aulas perdidas e criticou a hipótese de transferência de alunos para outras escolas sugerida pelo Estado na semana passada.

Após as manifestações na tribuna, houve consenso de que a pressão deve ser exercida sobre o Governo do Estado, para que as atividades escolares sejam retomadas o mais brevemente possível.

Moção para entregar em mãos a Sartori

Como resultado da participação de representantes de pais, alunos e professores na sessão da Câmara desta segunda-feira, ficou acertado que todos os vereadores venâncio-airenses assinarão uma moção que será entregue, se for possível, em mãos ao governador José Ivo Sartori, que confirmou presença na Abertura Oficial da Colheita do Tabaco, marcada para ocorrer nesta sexta-feira, 27, na localidade de Linha Picada Nova.

A intenção é deixar claro ao comandante do Rio Grande do Sul que a sociedade, de forma conjunta, espera uma solução para o problema dos atrasos de salários do servidores. Os vereadores deixaram claro que não querem causar desconforto a Sartori em sua passagem por Venâncio Aires, no entanto acreditam que a oportunidade é interessante para um contato com o governador. Provavelmente, a moção será entregue pelo presidente da Câmara, Gilberto dos Santos (PTB), que dever ter acesso ao evento na sexta-feira.

FIQUE POR DENTRO

- Monte das Tabocas: Na noite de hoje, professores e funcionários da Escola Estadual de Ensino Médio Monte das Tabocas realizam encontro com pais e estudantes da instituição para explanar sobre os motivos da greve do magistério. A reunião ocorre a partir das 19h30min.

- Crescer: A Escola Estadual de Ensino Médio Crescer, do bairro Coronel Brito, retoma hoje as aulas dos anos iniciais do ensino fundamental. Em reunião, nesta segunda-feira, 23, professores e funcionários decidiram pela retomada das atividades com estudantes de 1º ao 5º ano, os quais têm atendimento em tempo integral. Para os demais alunos do ensino fundamental e do ensino médio, ainda não há previsão de reinício das aulas. A instituição estava totalmente paralisada desde o dia 5 de setembro.

- Paralisação total: escolas Cônego Albino Juchem, Monte das Tabocas e Adelina Isabela Konzen.

- Paralisação parcial: escolas Crescer, Wolfram Metzler e Sebastião Jubal Junqueira.

REUNIÃO NA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

Atendendo a um pedido do comando de greve do Cpers/Sindicato, o Governo do Estado voltou a se reunir com os líderes do movimento grevista nesta terça-feira, 24, na Secretaria de Educação (Seduc). O chefe da Casa Civil, Fábio Branco, que esteve acompanhado da secretária adjunta da Educação, Iara Wortmann, ressaltou que o Estado seguirá com os mesmos esforços para que os servidores voltem a receber os salários dentro do mês. 'Trabalhamos para o futuro do Rio Grande, pensando no conjunto da sociedade e, para isso, temos de fazer essa travessia, que exige esforço de todos os setores', reiterou Branco.

Segundo Branco, o governo não firmará compromissos que não possam ser cumpridos: 'Não vamos criar falsas expectativas. Não vamos mentir aos servidores, aos professores, mas estamos preocupados com os nossos alunos. Estamos muito próximos de uma saída para o problema do Estado, que afeta toda a sociedade', argumentou. As ações do governo José Ivo Sartori, acrescentou o secretário, não miram as eleições de 2018, mas um futuro melhor para o Rio Grande.

O chefe da Casa Civil voltou a pedir bom senso aos líderes do Cpers, lamentando o ocorrido na segunda-feira, 23, quando manifestantes, amparados por militantes da CUT, impediram o acesso a prédios das Coordenadorias Regionais de Educação (CREs), que começariam a fazer o remanejo de alunos de escolas em greve para outras em funcionamento normal. 'O direito daqueles que querem trabalhar deve ser assegurado. Isso é antidemocrático, ilegal, porque estamos buscando várias alternativas para não prejudicar os alunos. Aqueles que queiram dar aula ou receber aula, o Estado tem de estar a postos para garantir isso', observou. Nesta terça-feira, a coordenadorias regionais deram início ao cadastramento de alunos interessados no remanejo de escolas.

NOTA DO CPERS

Ao completar 50 dias de greve, o governo Sartori segue desrespeitando os educadores, os pais, os estudantes e a comunidade escolar ao cancelar a audiência com o Cpers. O governo insiste no discurso em que a única saída é a adesão ao regime de recuperação fiscal, o qual sabemos que se for aceito irá congelar os investimentos nas áreas essenciais à população, educação, saúde e segurança; estenderá o arrocho salarial até 2020 e aumentará em R$ 30 bilhões a dívida com a União, além de impor a privatização.

Ao invés de buscar alternativas para o término da greve, com a apresentação de propostas, Sartori ataca, cada vez mais, os professores e os funcionários de escolas e semeia ilusão para a sociedade, fingindo um diálogo e uma negociação que de fato nunca existiram. Do início da greve até agora, foram conquistadas pelo Cpers, através da pressão da categoria, quatro audiências. Em nenhuma delas, o governo demonstrou interesse em solucionar o impasse e nem preocupação com os educadores, os estudantes, os pais e a comunidade escolar.

Sartori segue fingindo preocupação, mas suas ações o contradizem, pois acentuam a permanência do impasse. Para a imprensa e a sociedade tenta vender a imagem de diálogo e negociação. Mas, na verdade, tem uma postura totalmente autoritária, constatada em ataques como: ameaça de corte de ponto e demissão de educadores contratados. Como se não bastasse, o último absurdo proposto pelo governo, foi o remanejamento de estudantes de escolas em greve para instituições em que a paralisação ainda é baixa. Ação que expressa bem o descaso com o direito constitucional a uma educação pública de qualidade.

Diante da continuidade do escalonamento dos salários, já previsto para o final deste mês, o Cpers realiza Assembleia Geral Extraordinária no dia 31 para fortalecer a luta em defesa da educação pública e contra os ataques e ameaças deste governo arbitrário.

 

Fonte: Jornal Folha do Mate
Créditos e foto: Carlos Dickow 

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