Para 42% dos entrevistados, retirada das tipuanas no centro é equívoco

Publicado em 23/10/2017 às 10h12

Apesar da beleza das tipuanas do Calçadão, calçadas quebradas e possibilidade de queda de galhos estão entre os riscosAtire a primeira pedra quem nunca desfrutou da sombra das tipuanas do Calçadão de Venâncio Aires. Atire a primeira pedra, também, quem nunca tropeçou em um trecho da calçada estragada pelas raízes das árvores. A retirada das tipuanas do centro não é assunto novo. Apesar das diversas discussões, controvérsias e audiências públicas sobre o tema, ainda não há solução definitiva para o impasse.

O assunto foi um dos temas abordado em pesquisa de estudantes da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) campus Venâncio Aires. O estudo apurou que, para 68% dos entrevistados, os danos causados pelas árvores nas calçadas geram problemas na segurança para a população. Os riscos vão desde as calçadas irregulares, por onde trafegam pedestres, até danos em prédios, interferências na rede elétrica e perigo de desabamento da árvore.
Apesar disso, a retirada das tipuanas divide opiniões: enquanto 37% concordam com a necessidade de remoção, 42% consideram o corte das árvores um equívoco, pois elas são um cartão postal da cidade. Além disso, 21% dos entrevistados não souberam opinar sobre a situação.

''A tipuana é uma árvore magnífica, muito bonita, mas que precisa ser cultivada em grandes espaços, como na entrada da cidade ou no Parque do Chimarrão", Clóvis Schwertner, secretário municipal de Meio Ambiente.

Para o engenheiro agrônomo e secretário municipal de Meio Ambiente, Clóvis Schwertner, o assunto é delicado, pois, apesar da beleza, as tipuanas não são espécies adequadas para espaços pavimentados. "Ela tem uma raiz pivotante, mais profunda, que dá a sustentação, mas as principais raízes que nutrem a planta são superficiais, com cerca de um metro de profundidade, e saem procurando água", explica.

De acordo com ele, no Calçadão, o problema é ainda maior pois, os prédios são antigos e muitos têm encanamento pluvial de barro, o que faz com que as raízes quebrem os canos e causem entupimentos.

Schwertner observa, também, que as raízes rompem as calçadas em busca de oxigênio para a árvore. "Como o solo está compactado, e há calçada e paralelepípedo ao redor da árvore, ela não tem espaço e não consegue respirar. Não se pensou tecnicamente quando essas árvores foram plantadas", comenta o secretário, que estima que as árvores do Calçadão tenham, pelo menos, cerca de 30 anos. "Em um dia de chuva, o peso da tipuana aumenta 30%, o que eleva os riscos de queda da árvore."

Rua coberta pode ser alternativa para substituição das árvores

O secretário de Meio Ambiente, Clóvis Schwertner, acompanha há anos o impasse das tipuanas. Embora considere importante a preservação das árvores, ele reconhece a necessidade de se encontrar uma solução, para garantir a segurança da população.

Segundo ele, uma das ideias que têm sido analisadas, em parceria com as secretarias de Planejamento, Orçamento e Gestão e Desenvolvimento Econômico e Turismo é a implantação de uma rua coberta no Largo do Chimarrão. 
"A rua seria ampliada dos dois lados e teria vegetação, árvores e trepadeiras no entorno", explica, ao lembrar que outras árvores já foram plantadas no Calçadão, em gestões municipais anteriores, com o objetivo de fazer uma substituição progressiva das tipuanas. Na pesquisa desenvolvida pela Unisc, 53% dos entrevistados afirmaram que essa seria melhor solução para o problema.

Por enquanto, Schwertner garante que não está sendo autorizada a retirada de árvores do Calçadão, apesar de existirem pedidos de proprietários de prédios da rua Osvaldo Aranha. "Além da beleza, elas têm uma importância muito grande, especialmente no verão. Pelo menos até março, não será mexido no local. Não se pode fazer um corte drástico porque é o local de mais sombra do centro da cidade. Geraria um impacto muito grande", destaca. "O que já fizemos em alguns locais é uma poda de condução, de melhoramento do paisagismo e da copada da árvore, tirando os galhos que pendiam pelo peso."

Pesquisa

A reportagem sobre as tipuanas encerra a série de matérias da Folha do Mate, iniciada em 16 de setembro, com base nos temas abordados pela pesquisa de alunos do curso de Administração, da Unisc Venâncio Aires. Por meio do projeto Barômetro Atitudinal, coordenado pelo professor Carlos Mello Moyano, os estudantes identificaram a opinião da população sobre assuntos como plantão do Hospital São Sebastião Mártir, oportunidades de emprego, manutenção das praças e do Parque Municipal do Chimarrão, trânsito, eventos culturais e atrativos turísticos do município. 

 

Fonte: Jornal Folha do Mate
Créditos e foto: Juliana Bencke

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