Quando os pets fazem parte do tratamento

Publicado em 12/02/2019 às 11h32

Pink durante a visita a seu Nilo, no hospital, em maio de 2017Quando Nilo Elo Wiellenz internou no Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), em maio de 2017, por conta de uma pancreatite, não foram apenas os familiares que sentiram falta do idoso, de 83 anos. A cadelinha Pink, da bisneta Mariana Schmidt, também estranhou a ausência do companheiro diário de caminhadas.

Quando a equipe do hospital falou sobre a possibilidade de um encontro entre o paciente e o animal de estimação, a família não teve dúvidas. 'Assim com o o vô gostava da Pink, ela se apegou ao vô, procurava por ele, sentia falta quando ele não estava em casa. Acreditamos que seria uma ótima oportunidade levá-la para ver ele', conta a neta Alexsandra Schmidt, 38 anos.

O encontro ocorreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em uma tarde, e foi acompanhado por Alexsandra, a filha Mariana e a mãe Asta Goettems, 57 anos, filha de Nilo. Embora não conseguisse falar, por causa de uma traqueostomia, os olhos dele traduziram a alegria do momento. Pink ficou quietinha, deitada sob o cobertor, nas pernas do 'bisavô'.

Para Alexsandra, a visita de Pink foi uma das ações do tratamento humanizado do hospital com o avô, que faleceu em 5 de julho de 2017. 'A equipe foi sempre muito atenciosa e querida. Víamos o carinho com que tratavam ele', destaca. 'A situação do vô era muito grave, não houve uma melhora, mas essa foi uma forma dele e da Pink se despedirem e uma maneira de levar algo da rotina dele, um pouco da vida de casa, para o hospital', considera.

Integrante do grupo de Humanização do HSSM, a psicóloga Ana Lúcia Oliveira explica que o encontro de pacientes com animais de estimação tem justamente o objetivo de proporcionar o contato com o cotidiano antes da internação. 'Isso faz com que o paciente se sinta mais à vontade', observa.

 

Humanização

O Hospital São Sebastião Mártir já proporcionou três visitas de animais de estimação - todos cães. De acordo com a enfermeira coordenadora da UTI, Isabel Pauline Schmidt, as visitas ocorreram entre dezembro de 2016 e julho de 2017. 'Um dos pacientes estava internado há aproximadamente dois meses e meio', conta.

Ela lembra que a ideia surgiu a partir de uma manhã quando, durante a visita de familiares à UTI, a esposa de um paciente começou a falar sobre a cachorrinha de estimação. 'Foi então que começamos a conversar e ela me relatou que os dois eram inseparáveis e, na hora do chimarrão da manhã, a cadela estava sempre em seus pés.' 

A história comoveu Isabel, que sempre gostou de animais. 'Foi então que uma equipe multidisciplinar começou a discutir a possibilidade de recebermos a visita dos pets. Organizamos um protocolo, juntamente com o controle de infecção hospitalar da instituição, com vários critérios a serem cumpridos antes do animal entrar na instituição', comenta. 

 

Como profissional e amante de animais, sou a favor desta prática desde que planejada de forma segura tanto para o paciente quanto para os animais e a equipe, e claro, com critérios bem definidos pensados por uma equipe multidisciplinar."
ISABEL PAULINE SCHMIDT - Enfermeira

 

Segundo a enfermeira, que é pós-graduada em Terapia Intensiva, não há dúvidas sobre os benefícios do encontro com os pets, para os pacientes. 'Acompanhei duas visitas e consegui perceber a mudança instantânea na fisionomia dos pacientes, inclusive percebi os olhos marejados, assim como da equipe e de familiares.'

A enfermeira Lisana Emmel também destaca o aspecto positivo da prática. 'A alegria daquele momento é muito importante para o paciente. Quando ele está contente, produz sustâncias que promovem bem-estar e isso é benéfico para o organismo', explica.

 

Normas da visita

Para a visita dos animais de estimação ocorrer no hospital, ela segue critérios estabelecidos pela instituição. A prática não é liberada e passa por avaliação da equipe, conforme cada caso. Os animais são levados dentro de caixas de transporte até o leito, para que o paciente possa interagir por cerca de 30 minutos ou de acordo com avaliação dos profissionais.

O animal deve ter tomado banho naquele dia, com higienização correta em um pet shop - é necessária comprovação. Além disso, é exigida carteira de vacinação em dia e avaliação de um veterinário.

 

Fonte: Folha do Mate
Créditos: Juliana Bencke 

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