Setor espera se fortalecer e atingir novos mercados com a Política da Erva-Mate

Publicado em 08/01/2019 às 17h37

Política Nacional atende uma antiga aspiração de toda a cadeia produtiva da erva-mate erva avoO uso da erva-mate pode ir muito além do que o sabor do mate amargo consumido pelos gaúchos. Isto porque na quinta-feira, 3, o presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou a lei n 13.791, que institui a Política Nacional da Erva-Mate.

O objetivo é fomentar a produção sustentável, elevar o padrão de qualidade, apoiar e incentivar o comércio de erva-mate (Ilex paraguariensis) do Brasil. O projeto é de autoria do deputado federal Afonso Hamm (PP/RS) e foi aprovado ainda no mês de dezembro, pelo Senado Federal, tendo como relatora da proposta a senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS) na Comissão e Agricultura e Reforma Agrária.

 

PRODUTORES

'Entendemos que esta lei irá fortalecer a erva-mate, nos permitindo vislumbrar novos horizontes, trazendo sustentabilidade econômica e social aos agricultores. Iremos buscar parcerias, incentivos para promover a organização produtiva', afirma o presidente da Associação dos Produtores de Erva-Mate dos Polos (Aspemva) e também produtor de erva-mate Cleomar Konzen.

Ele acrescenta que a Política Nacional da Erva-mate dará maior visibilidade ao setor, além de oportunizar a busca, junto aos órgãos competentes, por meio de pesquisas, novos produtos, usos e finalidades para a erva-mate. Ele lista ainda como benefícios, a busca de novos mercados para a cultura, crédito oficial para a produção e, ainda, assistência técnica oficial aos produtores.

Morador de Linha 17 de Junho, o produtor Everton Griesang tem a expectativa de que os preços pagos ao produtor sejam majorados, pois atualmente, ele recebe R$ 8 a arroba. Ele observa que as linhas de financiamento para quem desejar investir na atividade, são bem-vindas. Porém, alerta para a questão do prazo de carência para o pagamento das parcelas.

Segundo Griesang, se o financiamento seguir a mesma linha do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o produtor, se quiser utilizar recursos oriundos com a venda da erva-mate, vai ter dificuldades de pagar já no primeiro ano, pois a cultura somente começa a produzir depois de quatro a cinco anos plantada e atinge o máximo de produção depois do sexto, sétimo ano. 'A política já é um começo, pois irá valorizar o produtor e a sua cultura. Porém, o preço deverá ser, no mínimo, de R$ 10 por arroba', defende.

'Estamos preparando todo o setor para alavancar o consumo de erva-mate em nível nacional.'
GILBERTO HECK - Empresário e vice-presidente do Sindimate/RS

 

INDÚSTRIAS

Para as indústrias, a política é muito importante pois coloca no mapa, em nível federal, toda a cadeia produtiva. Até agora, o setor enfrentava enormes dificuldades em Brasília de conversar com pessoas que não entendem sobre o setor ervateiro. 'Esta política vai oportunizar a busca de novas alternativas para a erva-mate e a fabricação de produtos e subprodutos.

Além disso, vai permitir a modernização das plantas industriais das ervateiras com a aquisição de novas máquinas e equipamentos, além de outras novas tecnologias', afirma o empresário e vice-presidente do Sindicato das Indústrias do Mate do Rio Grande do Sul (Sindimate/RS), Gilberto Heck. Ele acrescenta que também vai facilitar o acesso dos produtores às linhas de financiamento para renovarem os ervais ou plantarem novas áreas e firmar convênios de assistência técnica com entidades como a Embrapa e a Emater/RS-Ascar.

Heck acrescenta que a primeira e importante conquista do setor foi a criação da Câmara Setorial da Erva-Mate, e que a criação da Política Nacional foi a segunda importante conquista. 'Agora, todas as peças da cadeia produtiva já podem fazer planos mais ambiciosos para alavancar a erva-mate para o futuro', projeta.

 

EMATER/RS-ASCAR

Para o extensionista rural do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, Alex Gregory, trata-se de uma boa notícia para o setor ervateiro. Segundo ele, a erva-mate é uma atividade significativa na região Sul, símbolo da tradição gaúcha e fonte de renda para diversas famílias de agricultores familiares. 'A nova lei vem para somar os esforços em benefício do setor, ampliando o estímulo ao cultivo e, principalmente, a valorização do setor', acentua.

Em Venâncio Aires, continua Gregory, esta Política Nacional vem como auxílio e fortalecimento das atividades que já estão sendo praticadas pela Emater/RS-Ascar dentro do Programa Gaúcho de Valorização e Qualificação da Erva-Mate, junto com a Aspemva e entidades parceiras para o desenvolvimento do setor. 'Precisamos ainda ver como esta política pode ser vinculada ao trabalho já executado e quais são as medidas práticas que possam beneficiar os produtores e a cadeia como um todo', observa.

'Acredito que haverá novas ferramentas para intensificar o trabalho de assistência técnica e a produção de ervais mais rentáveis e com uma matéria-prima de maior qualidade.'
ALEX GREGORY - Extensionista rural do escritório municipal da Emater/RS-Ascar

'Esta política será de grande valia para o setor e, principalmente, para os produtores da região.'
CLEOMAR KONZEN - Presidente da Aspemva e produtor de erva-mate

 

Entenda

1 Dentre os princípios e diretrizes, a legislação da erva-mate foca a sustentabilidade ambiental, econômica e social; elevação de padrão de qualidade e segurança; pesquisa e desenvolvimento tecnológico; aproveitamento da diversidade cultural e ambiental atrelada à erva-mate.

2 Ainda, adequações normativas de produção, manejo e consumo; articulação entre setores públicos e privados; estímulos às economias locais, consumo e desenvolvimento de mercado e empregos relacionados à cadeia produtiva.

3 Para tanto, fomento a setores de pesquisa, públicos e privados, promoção da qualidade e incentivo à produção, inclusive com concessão de linhas de créditos.

4 A instituição desta política foi uma proposta encaminhada pelo Instituto Brasileiro da Erva-Mate ao deputado federal Afonso Hamm, que atendeu o pedido do instituto para haver uma politica nacional, a qual colocará toda a cadeia produtiva dentro de todos os programas do Governo Federal.

 

Saiba mais

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, a erva-mate foi o principal produto extrativo alimentício do país em quantidade colhida - 333 mil toneladas, e o segundo principal em valor - R$ 403 milhões. O maior produtor de erva-mate extrativa foi o estado do Paraná - 86,3%, seguido de Santa Catarina - 7,6% e Rio Grande do Sul - 6,1%.

 

Fonte: Folha do Mate
Créditos: Edemar Etges
Foto: Alvaro Pegoraro 

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