Uma semana depois dos estragos do temporal, o recomeço

Publicado em 06/11/2018 às 11h37

Carol ficou triste ao ver a escola destruída, mas se animou ao ver que nem tudo havia sido destruídoUma semana depois do temporal que arrancou o telhado da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Venâncio Aires, o sentimento na instituição de Linha Canto do Cedro é de recomeço. Na tarde de ontem, pais, professores e servidores da Prefeitura se reuniram em um mutirão para limpar o pavilhão ao lado da escola e organizar os materias e móveis que restaram.

No pátio da escola multisseriada, onde estudam 15 alunos, colchonetes e jogos secavam ao sol, enquanto, dentro do pavilhão, voluntários varriam, organizavam os materiais e descartavam o que foi danificado pela chuva. 'Nada mais importante do que se solidarizar. Isso é educação e é de todos. Quando tem um problema, todos têm que ajudar', acredita a professora Rosane Jungblut, que dedicou a tarde para ajudar no mutirão.

Mãe de Bryan Ferreira, 8 anos, Cristina de Souza, 30 anos, tentava separar o que ainda podia ser reaproveitado, entre brinquedos, quebra-cabeças e peças de jogos que foram totalmente molhadas. 'É uma judiaria com as coisas das crianças. Quando viu a escola desse jeito, meu filho encheu os olhos de lágrimas.'

Aluna do 3º ano e colega de Bryan, Caroline Rosa Maciel, 9 anos, também ficou triste ao ver a escola sem telhado e o ventilador da sala de aula em cima de uma árvore. Na noite do temporal, ela se acordou com as trovoadas e, junto dos pais e de outros vizinhos, foi até o colégio, para ver o tamanho do estrago. 'Vi a minha pastinha e quando queria pegar, ela saiu voando e não achei mais', conta. 

Ontem, Carol acompanhou a mãe Regina dos Santos Rosa, 32 anos, no mutirão. Sua principal tarefa foi buscar água gelada, em casa, para que os voluntários pudessem beber. 'Fiquei feliz porque ainda sobrou bastante coisa. Gosto de vir para a escola porque aqui a gente aprende muita coisa. A 'sora' é muito legal com a gente', garante a estudante. 'Estamos fazendo a nossa parte porque nossos filhos precisam dessa escola. É um colégio que faz um bem muito grande para a comunidade, para não ter que ir para longe estudar', considera Regina.

Ana Paula de Bittencourt, 30 anos, também fez questão de ajudar. Mãe do estudante Kauã Eduardo Ferreira, 7 anos, se empenhou na limpeza e na organização do pavilhão. O temporal também deixou rastro na casa da família, onde um galpão de tabaco foi destelhado. 'Molhou o fumo já colhido e na lavoura tivemos perda total, sem seguro. Meu marido já saiu para procurar serviço', conta.

Perdemos jogos, livros didáticos e de literatura, dicionários e material pedagógico, além de muitos documentos da escola. Tem móveis que ficaram encharcados e ainda não sabemos se os eletrônicos estão funcionando.'
ISABEL CRISTINA SACKSER - Diretora da Escola Venâncio Aires

A professora e diretora da Emef Venâncio Aires, Isabel Cristina Sackser, destaca a importância do apoio das famílias. 'Algumas perderam toda a plantação de tabaco, com o granizo, mas estão aqui para ajudar. Essa ajuda é fundamental nesse momento difícil, em que a escola foi brutalmente estragada', afirma. Ela destaca que clubes de serviços e grupos de funcionários de empresas já garantiram que vão auxiliar com doações de jogos e materiais. 'Para nós, isso é muito importante.'

 

Reforma garantida

Uma obra emergencial orçada em cerca de R$ 20 mil deve deixar o prédio em condições para as aulas, nas próximas semanas. Além de um novo telhado, a reforma inclui instalação elétrica e hidráulica e substituição do assoalho por piso. 'Está tudo encaminhado. O engenheiro fez o laudo na quarta-feira e na quinta-feira já foram trocadas as telhas quebradas no pavilhão ao lado da escola, para que ele possa ser usado para as aulas', destaca a secretária municipal de Educação, Joice Battisti Gassen.

Enquanto isso, as atividades devem ocorrer no pavilhão ao lado da escola. Para isso, entretanto, é preciso deixar o espaço em condições. 'Agora, com a limpeza, estamos tendo uma ideia melhor do prejuízo. Perdemos muita coisa, materiais escolares, documentos da escola, caderno de chamada e praticamente todos os trabalhos dos alunos. Ainda não sabemos se ar-condicionado, xerox e geladeira estão funcionando', comenta a diretora Isabel Cristina Sackser.

Se o tempo colaborar, acredito que em duas ou três semanas as crianças já estarão estudando na sala de aula. Já está tudo encaminhado para a obra emergencial."
JOICE BATTISTI GASSEN - Secretária municipal de Educação

De acordo com Isabel, ainda não está definido o dia em que as aulas serão retomadas. 'A Administração Municipal tomou medidas imediatamente e logo foram trocadas as telhas, mas o vento mexeu com a estrutura do telhado e surgiram muitas goteiras. Com a chuva de sábado, molhou muita coisa que estava aqui dentro', explica. 'Ainda não temos luz nem água, porque a instalação era interligada com o outro prédio. Precisamos ter condições de segurança para as aulas', sustenta.

Na Emef Dois Irmãos, que teve salas de aula e a secretaria atingidas pelo temporal, além de estragos no portão, as aulas ocorrem normalmente desde a tarde de quarta-feira, 31. A instituição, que é a maior da rede municipal de ensino, também receberá uma obra emergencial, orçada em torno de R$ 25 mil, para reformar a estrutura danificada.

 

Levantamento dos estragos no município ainda não está pronto

O coordenador da Defesa Civil de Venâncio Aires, Dário Martins, informou ontem que o levantamento dos estragos causados pelo temporal da última terça-feira, 30, ainda não foi concluído. De acordo com ele, "os prejuízos são muito significativos e os secretários ainda estão reunindo as informações para que consigamos provar a extensão dos problemas".

Martins acredita que os trabalhos possam ser encerrados hoje, mas não descarta a possibilidade de que mais tempo seja necessário para a coleta de todos os dados. "Queremos que isso se resolva o mais brevemente possível, mas sabemos que demanda tempo."

As informações ainda são extraoficiais. Por isso, não vamos estimar um valor total de prejuízos neste momento. Assim que tivermos os números de forma concreta, vamos informar a comunidade."
DÁRIO MARTINS - Coordenador da Defesa Civil de Venâncio Aires

Segundo Martins, 562 propriedades ligadas à fumicultura foram atingidas pelo granizo, vento e chuva. "Isso sem contar o milho, o leite e as aves", ressalta. Segundo dados informados pelo Departamento de Mutualidade da filial da Afubra de Venâncio Aires, o número ainda é maior. Segundo a entidade foram registrados 670 avisos de lavouras danificadas pelo granizo.

O coordenador da Defesa Civil lembra também que uma ponte localizada em Linha Arroio Grande, que sofreu sérias avarias, será incluída no relatório para que recursos possam ser viabilizados para a recuperação da estrutura. Problemas ocasionados na Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisp) são outros itens integrantes do levantamento. O Município espera receber auxílio financeiro para reconstruir um abrigo para caminhões da pasta.

>> O levantamento de prejuízos será de base para o decreto de emergência que o Município deve encaminhar para o Governo do Estado, que é quem homologa a situação e envia para o Governo Federal, na tentativa de viabilizar recursos que contribuam para a resolução dos problemas.

 

Fonte: Folha do Mate
Créditos: Juliana Bencke 
Foto: Alvaro Pegoraro

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