Diversão x Sossego: moradores do Acesso Leopoldina reclamam do som alto e brigas nas imediações

Publicado em 11/08/2018 às 10h47

Promotor de Justiça Pedro Rui da Fontoura Porto recebeu abaixo-assinado dos moradores do Acesso LeopoldinaToda a vez que o fim de semana se avizinha, as pessoas fazem diferentes planos para curtir a sexta-feira, o sábado e o domingo. Há quem prefira aproveitar os dias de folga do trabalho para descansar, mas também quem está contando as horas para encarar uma balada e interagir com os amigos. Nada que fuja da normalidade, mas em Venâncio Aires, sossego e diversão não têm convivido de maneira harmoniosa, principalmente num trecho do Acesso Imperatriz Dona Leopoldina, nas imediações do bar Tombei.

Moradores das proximidades se dizem incomodados com a situação que vem se repetindo no local, nas sextas-feiras e sábados. Em relação ao Tombei, diretamente, queixam-se do volume do som em eventos promovidos pela casa noturna. Outras reclamações dão conta de que, como há concentração de veículos e muitas pessoas no entorno do estabelecimento comercial, som automotivo em volume excessivo e brigas viraram rotina. 'E há coisa ainda pior: não é raro alguém fazer xixi no portão da casa da gente. Ninguém dorme mais de madrugada', argumenta Giovana Fretto, que mora perto do local conflagrado.

De acordo com ela, nas redondezas já ocorreram vários furtos em veículos e 'brigas feias'. Giovana afirma que 'idosos e crianças deixaram de ser respeitados' e, para ela, a situação saiu de controle. A moradora ainda comenta a respeito da sujeira acumulada no local após as festas. 'O dono do bar até limpa um pouco, mas sempre acaba sobrando para quem mora perto', salienta. Garrafas de bebida, lembra ela, 'são jogadas à moda bicho e estouram na rua'. 'Eu não posso afirmar que são pessoas que frequentam o bar que fazem isso, mas a realidade é que acontece porque fica muita gente por ali, tem esta concentração. Não temos nada contra o dono do bar, mas queremos ter direito ao nosso sossego', declara.

 

MINISTÉRIO PÚBLICO

Moradores que se sentem prejudicados pelas ocorrências foram até o Ministério Público (MP) com abaixo-assinado para pedir providências. O promotor de Justiça Pedro Rui da Fontoura Porto é que está responsável pelo processo. Conforme ele, inicialmente a tentativa será de resolver a situação a partir da busca por um consenso, uma forma que permita a convivência. Caso não seja possível, um outro caminho pode ser tomado. 'Realmente temos conhecimento desta situação. É, talvez, a mais gritante no momento. Pretendemos chegar a uma solução sem a necessidade de um mecanismo de pressão', antecipa.

Porto esclarece que já fez contatos com a Brigada Militar, no sentido de garantir rondas no local, e que a corporação realizou várias operações, identificando pessoas e, inclusive, recolhendo veículos que estavam com documentação em desacordo. 'O que precisamos buscar é a viabilidade entre uma atividade econômica e o sossego. Agora, se não chegarmos a um acordo e houver fundamento para uma ação diferente, poderá ser tomada. Estamos colhendo informações, trabalhando esta questão, e não temos intenção de prejudicar quem quer que seja. Talvez façamos pedidos para amenizar estes problemas', sinaliza.

 

'Precisam saber diferenciar a rua do negócio'

Proprietário do bar Tombei, Alan Polito de Borba, 22 anos, admite que a convivência não tem sido harmoniosa com os vizinhos. De acordo com ele, o problema se acirrou nos últimos meses, quando recebeu reclamações diretas e também soube da movimentação de moradores das imediações até o Ministério Público. 'Essa situação acabou sendo comentada na sessão da Câmara, segunda-feira. O pessoal está todo com os olhos para o meu bar, mas as pessoas precisam saber diferenciar a rua do negócio', comenta.

Borba diz que as ocorrências registradas fora do seu estabelecimento não são de sua competência, e lembra que a Brigada Militar tem atuado com firmeza em muitos fins de semana na região. 'Tenho total tranquilidade em relação a isso, pois sei que estou dentro da lei, pago meu impostos, tenho os alvarás necessários para o funcionamento e, quanto mais fiscalização tiver, melhor', afirma. Sobre as queixas de que seu sistema de acústica não seria suficiente para 'sufocar' o volume do som dentro do estabelecimento, o proprietário garante que testes foram feitos e que o volume é utilizado dentro da capacidade permitida.

 

SEGURANÇA

Em relação à segurança, o jovem empresário destaca que tem investido a contratação, inclusive, de profissionais de fora de Venâncio Aires. 'Para não ficar aquela coisa de conhecer alguém e não ter o mesmo rigor em caso de algum descumprimento de regras', esclarece. Borba assegura, ainda, que só permite a entrada de menores a partir de 16 anos, com autorização dos pais ou responsáveis, e diz que os adolescentes são identificados com pulseiras coloridas para facilitar o controle no sentido de consumo de bebidas alcoólicas. 'Já houve briga lá dentro, não preciso esconder isso. Mas já faz seis festas que não acontece nada de errado no bar, e disso ninguém fala nada. Na rua, não tenho como me responsabilizar', reforça.

 

Em três meses, BM atendeu 31 ocorrências

A Brigada Militar procura atender a todas ocorrências mas, às vezes, em razão da elevada demanda, precisa estabelecer prioridades. 'Um acidente com lesões corporais, por exemplo, é mais grave que uma perturbação de sossego', comenta a comandante da 3ª Cia de Venâncio Aires, capitão Michele da Silva Vargas. A corporação, no entanto, não deixa de atender os casos de perturbação de sossego público.
De acordo com ela, a maioria dos chamados desta natureza se dão de forma anônima ou de pessoas que preferem não ser identificadas, mas mesmo assim os policiais vão até os locais apontados para colher informações e registrar a ocorrência. Nos últimos três meses, segundo estatísticas da Brigada Militar de Venâncio Aires, 31 denúncias de perturbação de sossego foram atendidos. O número seria significativamente maior, destaca a comandante, se fossem contabilizados os deslocamentos feitos a um mesmo ponto.

 

OPERAÇÕES
A oficial ressalta que a BM vem desenvolvendo, nos dias e locais com maior índices e denúncias de perturbação, operações com abordagem de veículos e identificação de pessoas. 'A intenção é coibir e restringir esta contravenção, mas trata-se mais de uma conscientização e respeito ao próximo. Da mesma forma que alguns querem se divertir, outros estão nas suas residências e querem descansar', destaca ela.
Outro problema, de acordo com a comandante da 3ª Cia, são as pessoas que ficam na via pública, ao invés de ingressarem nos estabelecimentos destinados à diversão. 'Na maioria das vezes, por terem ingerido bebida alcoólica, começam a falar alto, perturbando principalmente a vizinhança de casas noturnas, bares e distribuidoras de bebidas', aponta. A capitão Michele lembra que a lei municipal prevê um nível de som e, por vezes, mesmo que as conversas perturbem, acabam por não infringir a legislação, fato já comprovado por aferições.

 

ORGANIZAÇÃO

1 Para o titular da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), delegado Vinícius Lourenço de Assunção, o segredo para que a diversão não perturbe o sossego é a organização.

2 Ele ressalta que os locais destinados à diversão precisam atender exigências previstas em lei e, quando estão dentro das regras, têm liberdade para exercer suas atividades comerciais.

3 O policial comenta também a questão envolvendo as pessoas que ficam na rua, próximo a bares e casas noturnas: 'Podem ficar, desde que se comportem de forma ordeira'.

4 Assunção ainda reforça a necessidade de preocupação com menores de idade que, eventualmente, estejam consumindo bebidas alcoólicas. 'A Polícia dedica atenção a esta situação, mas também cabe aos pais e responsáveis a conscientização', alerta.

 

PARQUE DO CHIMARRÃO

Fontes ouvidas pela reportagem da Folha do Mate para a produção deste material comentaram que a concentração de pessoas em frente a estabelecimentos comerciais como o bar Tombei aumentou a partir do momento em que o Departamento Municipal de Trânsito regrou o estacionamento em frente ao Parque Municipal do Chimarrão.

De acordo com a medida, o estacionamento é vedado entre 2h e 7h. Placas de sinalização foram instaladas no espaço público informando sobre a decisão, determinada justamente por conta de situações como as que estão sendo registradas atualmente no Acesso Imperatriz Dona Leopoldina.

 

Fonte: Jornal Folha do Mate
Créditos: Carlos Dickow e Alvaro Pegoraro
Foto: Alvaro Pegoraro

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